Escrevendo com a luz

Bom, primeiro vou esclarecer o porquê de fazer esta seção: quero contar o que acontece “ao redor” do enquadramento escolhido e como o fiz daquele jeito. Acredito – é não é mistério nenhum – que toda foto faça parte de uma história que acontece ao seu redor. Quero tentar contá-la. Vamos lá.  

O primeiro post dessa seção é sobre as fotos acima, feitas no último dia 21, uma terça de carnaval, em um momento “pós praia”, quando eu passava pela praça da Nova Brasília, Pontal, Ilhéus. Ali acontece um por-do-sol maravilhoso, que contorna os prédios da av. Lomanto Júnior com uma dança de cores que se modificam a cada minuto. Foi nesse instante que passei e ali fiquei.

Ainda bem que estava com minha Sony Hx1 a postos. Então, sentei num banquinho e aguardei os “fatos” acontecerem à vontade. A mim cabia enquadrar e clicar. Por isso, fiquei num misto de passiva (aguardando) e ativa (“recortando” a realidade e clicando) –  o que é, na verdade, quem se propõe a fotografar: esse misto. Crianças (adoro clicá-las, mas quem não gosta?), cachorros, adultos, pescadores, pessoas divertindo-se e nadando. Enquanto isso,  o sol buscava se esconder, e eu buscava uma maneira de registrá-lo.

Deixei no automático e tirei o flash porque, naquelas condições, para nada ele serviria. Na minha câmera, com o automático, eu posso apenas controlar a exposição. Então escolhi           -2.0 EV (o máximo do mínimo) o que resultou no escurecimento de toda a área que tinha prédios e a orla da avenida (ali, logo abaixo do sol – caso eu não diminuísse a exposição, você estaria vendo prédios e carros). Além disso, como eles estavam contra luz, não haveria como manter suas cores e contornos nitidamente. Então, ESCOLHI (o processo de fotografar é de escolhas) fazer fotos do sol, que era mesmo quem reinava naquela hora.

Outro efeito colateral dessa diminuição da exposição, era o contorno mais nítido da “bolinha” do sol. Veja que, da primeira para a segunda foto do sol, há uma diferença na maneira como o vemos. Na primeira, eles está lá, todo em chamas, poderoso, “anti-retina”. Na segunda, já dá para vê-lo mais nítido, menos “fogoso” (rs), mas ainda sim um sol, talvez, sua outra face, mais pacífica.

E aí estão as fotos. Coloquei numa sequência para mostrar o poente. Ao percebê-las com mais calma lembrei-me de uma citação que dizia que fotos não são o registro da realidade, mas o recorte que dela fazemos. E mais: é também o resultado de uma “maquiagem”, uma manipulação, uma forma de nós dizermos “deixa ver como fica se eu diminuir aqui e acolá, se eu escolher esse ou aquele recurso da câmera”. Nós a manipulamos, damos a nós mesmos o livre arbítrio de mexer na foto. E eis o porquê do encanto da fotografia.

Até a próxima!

Uma resposta para Escrevendo com a luz

  1. Letícia. disse:

    Lindo texto, Tacila! E lindas fotos! Olhando para a sequência de fotos, me senti como se estivesse lá acompanhando aquele momento do pôr do sol. Parabéns!

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